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quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Pão e Circo não está mais funcionando

Há pouco mais de uma semana eu comecei a pesquisar um assunto para um post novo. Coisas aconteceram e me forçaram a ir empurrando o texto pra depois; quando vi já tinha se passado mais uma semana. Nesse ínterim a Dilma foi vaiada, a passagem de ônibus aumentou 0,20 centavos em São Paulo e o povo brasileiro foi pras ruas. Os 0,20 centavos foi a gota d'agua que faltava para transbordar o copo. O brasileiro está sufocado com tanta inflação, impostos e serviços públicos que não funcionam

Por muito tempo eu pensei que o brasileiro só era capaz de se mobilizar por causa de Carnaval e futebol. Eu era uma que dizia "Quer ver o brasileiro se revoltar? É só cancelar o carnaval ou o Campeonato Brasileiro. Aí esse país pega fogo!" E agora eu engulo essas palavras alegremente. Porque eu nunca pensei que veria algo assim em plena Copa das Confederações. Acho que ninguém esperava por isso. Os políticos estão sem reação - estão vendo que aqueles velhos "truquinhos" não estão mais funcionando.

Demorou mas o povo acordou. O Brasil começou a acreditar que a mudança é possível. 

Algumas - poucas - pessoas estão agindo de má fé e aproveitando para cometer atos de vandalismo numa mobilização legítima e pacífica como essa. Infelizmente nada é perfeito. Mas não podemos perder o foco e esquecer da mobilização e o protesto final ano que vem: as eleições. O voto é a nossa arma mais poderosa. 




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Não vote por gratidão e por carinho

Não vou citar nomes.

Este não é um blog político, nem pretende sê-lo, portanto, não pretendo polemizar. Mas existem situações que não dá para ignorar.

Como todos já sabem, teremos eleições para vereador e prefeito. E como é de praxe: propaganda política no rádio e TV. Numa, em especial, uma mulher diz que nem sabia qual era o candidato de fulano de tal, mas já sabia que ia votar nele - por gratidão e por carinho - por tudo o que fulano de tal tinha feito.

Primeiro. Gestão pública não é um ato de filantropia. A pessoa que foi escolhida pelo povo, está sendo paga para estar ali, exercendo aquela função. Não há caridade, ela não está tirando o dinheiro do próprio bolso para asfaltar sua rua e fazer obras públicas. Pelo contrário, ela está fazendo uso do dinheiro arrecadado pelos impostos pago pelos eleitores. Pagos por mim, por você, pelos seus pais; sua tia e até pela “senhora grata” na propaganda.

Segundo. Eleição não é um relacionamento amoroso agonizante. Não há espaço para sentimentalismo e consideração neste caso. Você tem que analisar as propostas dos candidatos, seus históricos; e a partir daí escolher qual é o melhor. Ninguém deve se sentir impelido a votar em alguém por ser o candidato do fulano-que-asfaltou-seu-bairro. Ou porque é amigo de um primo seu, etc. O voto é secreto, lembrem-se disso.

domingo, 12 de agosto de 2012

A Crônica da Cerveja Preta e da Cidra

Eu comecei a escrever um outro post. Um post de teor literário, reflexivo e um tanto crítico. Mas não sei por que minha mente começou um devaneio, um devaneio que me levou de volta a minha infância. Acho que é esse clima de dia dos pais… não sei. E esse saudosismo permeado pelo cheiro de churrasco, vindo do vizinho, que adentra a janela do meu quarto enquanto eu escrevo aqui; me levou de volta as reuniões familiares de quando eu era criança.

Mas antes eu acho que devo fazer um breve relato biográfico.

Eu sou filha de paraenses, mas nasci e fui criada no Rio de Janeiro. Passei toda a minha infância no subúrbio carioca, e subúrbio carioca sem pagodão e churrasco nos fins de semana, não é subúrbio. E churrasco sem cerveja não é churrasco. Então recordei de um desses churrascos, quando um pai tinha acabado de encher um copo com cerveja, aquela espuma branca quase derramando e o filho pequeno chegou com a boquinha perto do copo e sugou a espuma. Assim, sem pudor, na frente de todo mundo. Ele mesmo explicou tranquilamente, em seguida, que o filho já estava acostumado a beber a espuma da cerveja.

Certa vez, eu devia ter uns dez anos. Era carnaval e fazia um calor infernal. Lembro que fui no supermercado com a minha mãe, meu padrinho e a minha prima. Eles foram com o intuito de comprar bebidas e uns tira gostos. Não sei como ou quem, na sessão de bebidas, pegou umas cervejas pretas, mas lembro que a minha mãe disse “Ah, cerveja preta não tem álcool, a gente toma quando tá grávida pra ter mais leite”. Cerveja preta é algo pavoroso, não acredito que tenha alguém que curta cerveja preta. Mesmo assim, mais tarde, naquele mesmo dia, quando me foi concedida a oportunidade de tomar a bendita cerveja, eu enchi a lata. Tomei uma long neck sozinha e ninguém atentou para o fato de eu ficar bem alegrinha e sambar ao som da bateria das escolas de samba na TV; tinha algo a ver com isso. Talvez pensaram que eu só estava contagiada com a alegria do carnaval.

Acontece que cerveja preta tem álcool sim - muito pouco - é verdade, tanto que em alguns países ela é vendida como energético, no entanto, seu consumo é proibido para menores de dezoito anos.

Para quem é adulto e está acostumado a beber, cerveja preta não faz nem cócegas. Mas para alguém, como eu, que tinha dez anos na época e não estava acostumada a beber, o pouco álcool da cerveja exerceu algum efeito em mim. Não o suficiente para me deixar bêbada de fato, mas para me deixar um pouco alta. Eu não atentei para isso na época, só anos depois quando, já adulta, comecei a beber de fato.

Outra incursão inofensiva minha com a bebida era no Ano Novo. Era naquele momento da virada, onde me era permitido tomar uns golinhos de cidra. “Ah, não faz mal”, alguém dizia, “é fraquinho”. E toma lhe cidra! Me lembro que eu até chegava a roubar o copo de cidra da minha prima. Anos depois essa mesma prima, ao perceber que eu não me fazia de rogada diante de um copo de caipirinha recordou-se: “É; eu lembro que você sempre foi chegada, mesmo”. 

Acredito que muitas pessoas passaram por experiências semelhantes. Mas não acredito que seja irresponsabilidade dos pais, pelo menos não na maioria das vezes. Essa onda de fiscalização, de politicamente correto e normas restritas é algo relativamente recente. Até pouco tempo Biotônico Fontoura continha álcool na sua fórmula. 

E não, eu não virei alcoólatra, apesar de que o texto possa levar a esta interpretação. Gosto de beber, não vou negar, mas não tenho o hábito de beber frequentemente, nem tenho crise de abstinência se fico muito tempo sem beber.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um punhado de palavras

Tornou-se moda, recentemente,  nas redes sociais, compartilhar citações de autores famosos com cunho de auto ajuda; dentre estes destacam-se Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector. Acho lindo, acho ótimo; é uma forma de manter a memória dos autores viva. E, porque não, uma forma de homenageá-los também. Acho que continuar sendo lembrado e lido após a morte é o sonho de qualquer escritor.

Vivemos numa época muito difusa, muito resumida. Explico. Hoje, com o advento dos meios de comunicação, em especial da internet; estamos constantemente recebendo informações através das diversas abas abertas na tela do computador. Ou seja, hoje vemos muitas coisas, mas pouco conhecemos algo profundamente. Eu mesma sou assim, quando entro na internet saio clicando num monte de coisas em busca de um assunto que me agrade. Fico impaciente e, muitas vezes, não presto muita atenção no que estou lendo. Aliás, muito me admira os usuários, os que preferem os livros digitais. Eu não consigo. Ler um livro, pra mim, só com o computador desligado e a uma distância segura dele, sem fazer contato visual para não cair em tentação.

Então, toda vez que alguém compartilha ou tuíta uma frase de algum autor eu me pergunto: Será que ele já leu, alguma vez na vida, algum livro dele, ou só colocou isso aí porque achou bonitinho? Sem contar o risco da referida citação nem ter sido de autoria do autor, e a pessoa sem saber, estar pagando um mico virtual.

Por favor, se você realmente admira um autor, fuja dos cento e quarenta caracteres, dos punhados de palavras. Se você realmente admira um autor, vá ler um livro dele!

sábado, 28 de julho de 2012

Anton Tchekhov e a intolerância religiosa

Anton Tchekhov - famoso dramaturgo e novelista russo - soube como poucos através de suas obras retratar as vicissitudes e peculiaridades da psique humana. Seus personagens apesar de serem, na maioria das vezes, pessoas simples e provincianas; sintetizavam questões universais.

“O Assassinato” é um desses exemplos. Este conto foi escrito já na fase final do autor e narra a história de dois primos: Matviei e Iákov que moravam na mesma casa, mas apresentavam problemas de convivência devido a divergências religiosas. Matviei repreende constantemente seu primo por se recusar a ir à igreja, e preferir praticar os ritos religiosos por conta própria em casa. O próprio Matviei no passado foi um fanático religioso, e por achar que a igreja era dissoluta e os sacerdotes impuros; fundou sua própria igreja. Mas depois, por motivos adversos, se arrependeu; voltou a antiga religião e se mudou para a casa do primo, que por ser herança de família pertencia aos dois.

Matviei achava que não havia salvação fora da igreja e, portanto, devia converter Iákov. Tal proselitismo trouxe desarmonia entre a família; todos na casa passaram a odiar Matviei, pois além de não partilhar da mesma ideologia e interromper suas orações; era visto como uma pessoa de pouca moral, indigno de viver entre eles. Cada um estava tão preso na sua verdade, acreditava piamente que a sua verdade era a verdadeira, que não eram capazes de aceitar e respeitar opiniões divergentes.

Interessante notar no conto, que a intolerância religiosa e o fanatismo podem levar a resultados catastróficas, a ponto de arruinar uma família… Bom, pelo título não fica difícil de inferir. O autor deixa um final “em aberto”, ou seja, deixou um leque de interpretações, de forma que cada leitor possa tirar suas próprias conclusões. Eu interpretei de uma forma, mas não quero induzir ninguém. Caso alguém já tenha lido o conto, ou decida ler; sinta-se a vontade para colocar a sua interpretação aqui nos comentários.



domingo, 1 de julho de 2012

Mania de Erudição

Uma vez eu estava conversando, com um amigo que é figurinista, sobre moda e ele me disse algo mais ou menos assim: “às vezes eles colocam estampas bem coloridas e chamativas para disfarçar um trabalho mal feito”. Não sei por que, mas hoje quando eu estava lendo essa excelente matéria sobre Nietzsche e o fato dele ter sido um crítico do eruditismo exagerado e da escrita hermética, que na verdade servia para ocultar a falta de bons argumentos; essa conversa entrou na minha mente. 

Quem me conhece sabe que eu sou contra essa mania que algumas pessoas tem de escrever “difícil”, o que muitas vezes nos obriga a ler praticamente com o dicionário do lado. Durante um bom tempo eu paguei “um certo pau” para esse tipo de pessoa, toda vez que eu lia algo nesse estilo eu pensava “pô, o cara é muito bom, muito inteligente. Nunca vou conseguir escrever tão bem”. Até que com o tempo eu comecei a desconfiar e a prestar atenção de fato no que eu estava lendo; foi quando eu cheguei a conclusão que, tirando aquelas palavras difíceis e os termos técnicos, não havia nada demais ali. Nenhum argumento diferenciado, nada que eu pudesse levar para a minha vida.

Tem um em especial que segue essa vertente, por assim dizer, que escreve numa grande revista. E que se você for ver mais de perto, atrás das palavras mais rebuscadas, esconde-se um sujeito preconceituoso, chato, misógino e de mentalidade tacanha. Mas se você for ler os comentários, tá lá um monte de gente elogiando, “pagando pau”, porque ele aparenta inteligência, porque ele escreve de forma “culta”; e também porque ele escreve numa grande revista. 

Isso é uma síntese de um comportamento, de um modelo de pensamento no nosso país: que é a tal da mania de erudição, ou de pelo menos aparentar ser intelectual. Eu já falei aqui que o Brasil não é um país de intelectuais, ao contrário, portanto eu acho que nós temos que parar com essa mania de aparentarmos ser o que não somos. Sem contar o pavor que me causa essa ideia de ser considerado intelectual. Imagina a obrigação de ser sempre inteligente, de sempre ter que saber sobre tudo. Para mim isso é uma prisão!

E toda essa espécie de endeusamento da elite intelectual traz um certo prejuízo, ao meu ver, a individualidade. Porque acabamos deixando que ela nos diga o que é bom, o que deve ser lido, o que deve ser ouvido; e o que deve ser visto. Não nos baseamos no nosso gosto, na nossa subjetividade, para escolhermos que tipo de arte vamos consumir. Vou lhes dar um breve relato do que aconteceu comigo uma vez: eu vi na TV um crítico de cinema famoso falando muito bem sobre um filme,  isso despertou minha curiosidade e eu fui ver o tal filme. Eu odiei o filme. E até hoje me arrependo do tempo que eu perdi indo ao cinema e do dinheiro que eu gastei. 

De forma alguma eu sou contra o conhecimento, muito pelo contrário, mas assim como Nietzsche acho que o conhecimento deve ser útil para a nossa vida, tem que ser algo agradável. Não é muito mais legal quando você lê um livro que lhe agrada, independentemente do que a crítica diz sobre ele, do que ler algo considerado “cult” mas que você acha um porre e muita das vezes não entende nada? Eu acho que se você leu e gostou é literatura, pelo menos pra você é literatura. E todo mundo deve consumir o que gosta.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Voltamos!

Depois de um longo e tenebroso inverno, o blog do Sebo Porão Cultural está de volta, de cara nova e endereço novo.

 A nova proposta do blog não é só falar dos livros a venda no sebo, mas também falar sobre diversos assuntos ligados a literatura, como música, filmes, programas de TV… Tudo de forma bem sincera e dinâmica.

Até porque nós acreditamos que tudo começa com as palavras, portanto, a literatura está em tudo.



Por enquanto vai começar tudo bem timidamente, mas logo teremos mais posts e mais novidades.